• IMPORTANCIA DO SONHO
Fernando Dolabela – O empreendedor coletivo é alguém capaz de contribuir para que uma comunidade formule o seu sonho e busque a sua realização. O empreendedor coletivo é aquele cujo sonho é promover o bem estar da coletividade, a melhoria das condições de vida de todos.
O seu trabalho visa à criação de condições para que a comunidade desenvolva a sua capacidade de sonhar. Quanto aos resultados do seu trabalho, o empreendedor coletivo busca a criação de Capital Social, a interação cooperativa das forças da comunidade, com o objetivo de criar as condições para a formulação e busca de realização do sonho coletivo.
O empreendedor coletivo é diferente do empreendedor social na medida em que este último resolve problemas inadiáveis, que dizem respeito, por exemplo, à alimentação, saúde, assistência social. Mas não necessariamente ataca suas causas. Por seu turno, o empreendedor coletivo tenta provocar mudanças que conduzam à sustentabilidade, à auto-suficiência, ou seja, o seu trabalho busca tornar dinâmicas as potencialidades da comunidade, criando condições para que os seus habitantes sejam protagonistas, através de redes de cooperação internas e externas, na construção do seu próprio desenvolvimento.
Fernando Dolabela – Eu penso que o ensino do empreendedorismo dever ser introduzido na educação formal da pré-escola à universidade. Tento alinhar alguns motivos.
•A presença do empreendedor (em todas as áreas) é essencial para o desenvolvimento humano, social e econômico;
•A capacidade empreendedora (no seu sentido amplo) é um requisito dos nossos tempos, para qualquer atividade e sob qualquer relação de trabalho: empregador, empregado, auto-empregado, voluntário, cidadão.
•A capacidade empreendedora é relacionada à ação nas artes, na ciência, no governo, na política… É uma forma de ser.
Os resultados da ação empreendedora devem ser medidos em função de sua capacidade de oferecer para a sociedade, de forma distribuída: utilidade, melhoria das condições de vida, solução de problemas, renda, ciência, tecnologia, desenvolvimento, emoção, beleza, equilíbrio, cooperação, liberdade, democracia;
Prioritariamente o empreendedorismo deve ser visto como um instrumento de realização de sonhos coletivos, de desejos sociais, de geração de resultados que provoquem benefícios para todos.
A prevalência da construção do social em relação ao individual deve um dos fundamentos da construção da ética empreendedora. Assim, o produto da atividade empreendedora deve oferecer (e não subtrair) valores para a sociedade. A geração de riquezas de qualquer natureza faz sentido se delas puderem se beneficiar toda a população.
A vontade da coletividade, ou o sonho coletivo, irá conformar, alimentar, acolher e apoiar a motivação e capacidade empreendedora individual. Neste sentido é válido dizer que a sociedade tem os empreendedores e os empreendimentos que almejou, e que, portanto, merece.
O empreendedorismo aborda a relação de oportunidade entre o individuo e o seu sonho, a sua visão, a sua idéia. Uma idéia, para ser viável, além de sua coerência com o ambiente externo, deve ser congruente com o indivíduo empreendedor.
Ao relacionar o resultado da atividade empreendedora aos sonhos, visões e desejos da sociedade e do empreendedor, o empreendedorismo pode ser visto como um instrumento auxiliar na construção da liberdade.
O empreendedorismo não é uma panacéia. Ele trata de forma nova as relações entre o indivíduo/sociedade e conteúdos antigos, como auto-estima, criatividade, protagonismo, capacidade de identificação de oportunidades, risco.
O estudo das oportunidades, fundamento da atividade empreendedora, restrito atualmente à educação informal de determinados grupos, deve ser inserido nos programas de ensino da pré-escola à universidade.
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